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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Prazeres da vida



Parque Nacional Los Glaciares, El Chaltén

O bom da vida é provar um bom vinho, ir a um bom restaurante e hospedar-se em um bom hotel, mas igualmente curtir um jantar improvisado num acampamento, num quarto de albergue ou um lanche num parque qualquer. Não tenho problema em me adaptar em ambientes diversos. Banho gelado? Enfrento! Acampar com dez graus negativos? Ok! Pousada sem energia elétrica? Sem problema. Vinte horas de viagem de ônibus? Vambora! Que chato seria se eu me privasse de momentos especiais só porque não quis passar frio, calor, fome ou cansaço. 

Parque Nacional Tierra del Fuego, Ushuaia
Hoostel em El Calafate
Hostel em Ushuaia
Uma das muitas viagens de ônibus.







































Quando acampamos no Parque Nacional Los Glaciares (em El Chaltén, na província de Santa Cruz, Argentina), eu e a Mônica dormimos em uma barraca e a Verônica em outra. O saco de dormir da Mônica era o mais poderoso. O meu e o da Verônica não suportavam tão baixas temperaturas. Acordei três horas depois de dormir e não consegui voltar ao sono. Minha perna doía de frio. Foi a única vez em que tive dor de ouvido, por conta da friagem. Nunca passei tanto frio na vida!
Escolhemos um ponto para montar as barracas e três rapazes já estavam acampados. Foram embora naquele dia. Um deles alertou sobre os ratones que existiam por lá. Aconselharam que pendurássemos as sacolas com alimentos num varalzinho improvisado entre as árvores, já que os bichos eram capazes de rasgar barracas e mochilas em busca de comida. Traduzi “ratones” como enormes ratazanas e na escuridão da noite, apenas com lanternas de cabeça, a qualquer ruído eu imaginava os ratones em meus pés. Só depois fui saber que nada mais eram do que camundongos, pequenos ratos do mato.

Obviamente também não havia banheiro, apenas um buraco no chão, a chamada latrina (ou letrina, em espanhol). Mas o frio, o medo dos ratones, tudo foi compensado pela beleza do lugar, a imagem do monte Fitz Roy à noite, o gelo no pico nevado refletindo a luz da lua... E nós três sentadas num tronco de frente para a montanha, grudadas umas às outras, impressionadas pela paisagem. 

Parte do Fitz Roy, El Chaltén
Pois é, quem só viaja com conforto, jamais vai viver um momento como esse. E talvez isso nem faça diferença pra alguns. Pra mim fez e sempre fará! E daí fica difícil voltar ao meu mundinho e não lembrar a imensidão de vida que existe além da janela.


Chegando ao Parque Nacional Los Glaciares

Parque Nacional Los Glaciares

A indicação do banheiro. É isso ou é isso.

Montando acampamento

Pasta, queijo e vinho... hahaha

Meus passos, fotografados pela Verônica

Lindas paisagens, um presente para os olhos

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

No fim do mundo



No final de abril de 2008, com 41 anos (quase 42), fiz meu primeiro mochilão. Também minha primeira viagem internacional. Velha para isso? Besteira… Até então, viajava apenas pelo Brasil. Sozinha, mas com mala de rodinhas, nada de mochila.   

Meses antes, fui convidada pela Verônica para um encontro de mochileiros. E de lá surgiu a ideia de irmos nós três - eu, a Verônica e a Mônica – para a Argentina. Experiente em mochilões, a Verônica foi a grande responsável pelo roteiro. 

Começamos nossa aventura por Ushuaia, capital da Província da Terra do Fogo e a cidade mais austral do mundo.
Demoramos muuuuito para chegar a Ushuaia. Nossa parada em Buenos Aires foi ótima, um tempinho necessário na capital argentina para recarregar, antes da longa viagem ao fim do mundo….




No primeiro dia em Ushuaia fomos ao Canal de Beagle. É ele que separa as ilhas do extremo sul do continente da Terra do Fogo, no extremo da América do Sul. O canal marca também a fronteira entre o Chile e a Argentina. Pode-se navegar pela região, partindo do porto de Ushuaia, em visita a várias ilhas pelo caminho, onde se avistam lobos marinhos, pinguins, cormoranes e outras aves marinhas. Foi o que fizemos.

No segundo dia fomos ao Parque Nacional Tierra del Fuego. Caminhamos por 11 km (ou foram 9??), mais o trajeto dentro do parque (lindo por sinal). É lá que fica o Tren del Fin del Mundo, que leva os turistas para visitar o parque, mas ele não estava em operação. Fomos caminhando e voltamos de van.
 


No terceiro dia, o melhor para mim em Ushuaia, conhecemos o Glaciar Martial. Adorei! Não tem comparação com Perito Moreno, mas, felizmente não deixamos de conhecer. Sim, porque se tivéssemos comprado passagem para El Calafate no dia em que pretendíamos, talvez tivéssemos deixado de desfrutar esse prazer. Lindo!
No final de nosso passeio pelo Glaciar, paramos numa linda e aconchegante casa de chá (La Cabaña) e degustamos um delicioso chá da tarde oferecido pela Mônica. 




Enfim, um dia e uma tarde ótimos! Ainda bem que continuamos em Ushuaia por mais um dia. Sábado pela manhã (5 da manhã) pegamos um ônibus para Rio Gallegos e em seguida para El Calafate. Vinte horas de viagem no total.

Bom… até então eu estava ótima. Apesar da idade avançada (rs), resisti bem às longas caminhadas. O frio era cruel, mas suportável. Fiquei impressionada com o ótimo preço dos vinhos e adoraria uma viagem totalmente gastronômica pela Argentina. Não gastei o español e tampouco o portunhol. Naquele ano não tinha nenhum conhecimento sobre a língua, mas é muito fácil se virar na Argentina. Era como se estivéssemos em casa, tudo bem familiar, com algumas poucas diferenças. 

Fazíamos nossas chamadas internacionais e acessávamos a Internet, por exemplo, nos locutórios. O teclado do computador, configurado para o espanhol, não tinha “til” além do que fica acima do “N”. E não adiantava escrever exemplo, porque o computador mudava automaticamente para “ejemplo”. 

Esta foi uma parte, ainda viriam o Glaciar Perito Moreno e o Monte Fitz Roy, que tornaram a viagem única. Havia muita aventura pela frente.