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quinta-feira, 2 de abril de 2015

Roma - Segunda parte


Quando estávamos no Coliseu, encontramos um casal de Santo André, na Grande São Paulo, que estava no último dia de viagem. Disseram que tinham acabado de voltar do Vaticano, mas ficaram desapontados quando souberam que teria uma missa do Papa no dia seguinte e não poderiam ver. Agradecemos a dica e no dia seguinte resolvemos adiantar para a parte da manhã a visita ao Vaticano que faríamos à tarde.

O metrô de Roma é bem simples. São apenas duas linhas (ou eram, em 2009). Pegamos a linha A na estação Termini e descemos na estação Ottaviano, que era a mais próxima da entrada do Vaticano. De lá, uma caminhada de vários quarteirões pela Via Ottaviano e Via di Porta Angelica até chegar às colunas que delimitam a Piazza San Pietro.


O caminho já estava apinhado de gente. Uma multidão caminhando para a mesma direção. Me lembro de ter ouvido uma romana reclamando num italiano bastante compreensível: “Sembra che il mondo intero è venuto a Roma oggi!”… E realmente era o que parecia… gente do mundo inteiro tomando aquelas proximidades.
Da Via di Porta Angelica eu já conseguia vislumbrar as colunas da praça. E atravessar a Porta Angelica foi como sair de um mundo e entrar em outro.




A Porta Angelica é uma das muitas portas que atravessam o Passetto di Borgo, um muro que liga o Vaticano ao Castel Sant’Angelo. Quando se atravessa ela, a primeira coisa que chama a atenção é o Colonnato, um conjunto de 284 colunas que partem da Basílica di San Pietro e parecem abraçar toda a praça. Acima das colunas ficam 140 estátuas de santos, cada uma com cerca de 3 metros de altura. Atravessando as colunas na altura da Porta Angelica, nos deparamos com uma barreira de detectores de metais, como nos aeroportos. Tinha tanta gente na praça que nem consegui prestar muita atenção no obelisco egípcio que fica no centro dela. Escolhemos um lugar para ficar e esperamos.

A Porta Angelica
Piazza San Pietro e a Basílica lá atrás

O obelisco egípcio
Quando Bento XVI apareceu e ocupou uma cadeira na entrada da basílica, todo o burburinho parou…

Foi uma cena emocionante aquela gente toda em frente à belíssima Basílica de San Pietro. E quando o Papa começou a falar, foi um silêncio solene e total… Mesmo não sendo católico, assisti a missa até o fim. E aquilo me emocionou… aquelas pessoas vindas de tantos lugares diferentes do mundo. Todas movidas pela mesma fé. Reverenciando… A praça inteira calada e apenas a voz do Papa ecoando por quase duas horas. A sensação de paz… Saí dali bem mais leve do que quando entrei.

Ouvindo Bento XVI. Silêncio.
Depois da missa fomos até a entrada do Museu do Vaticano com o objetivo de conhecer a Capela Sistina, que era uma prioridade para mim. O percurso tradicional até a capela é seguir à direita na entrada, passar pelo Museu do Vaticano e terminar a visita nela. Mas, como havia muita gente, resolvemos fazer o inverso, pegamos o caminho da esquerda e fomos direto. O corredor que leva até lá é um espetáculo à parte. Teto e paredes eram cobertos com ricos detalhes e belíssimas obras de arte. Só isso já fazia a visita valer a pena.


Riqueza e arte... muita arte.

Depois de mais ou menos dez minutos andando por esse corredor, atravessamos uma porta estreita e entramos na Capela Sistina. Para um amante de arte como eu, foi um momento emocionante ver diante de mim aqueles afrescos criados por alguns dos maiores artistas da história, como Raffaello, Bernini, Botticelli e outros, cobrindo as paredes. Mas o que mais chama a atenção são as obras de Michelângelo: o teto que conta a história da criação do mundo e o enorme afresco do juízo final que cobre a parede do altar.
 

Diferente do Foro Imperiali no dia anterior, aqui não pudemos ter qualquer momento de contemplação. Em pouquíssimo tempo a capela ficou abarrotada de gente falando alto e tirando fotos (o que descobri depois ser proibido). A saída foi um sufoco, pois o corredor estreito já estava totalmente tomado por uma multidão no sentido contrário.

A Criação do Mundo de Michelângelo no teto da capela

A criação de Adão


O impressionante Juízo Final de Michelângelo ocupa toda a parede do altar

Diante do "Juízo Final"...

Saí de lá sem conhecer o Museu do Vaticano, vai ficar para uma próxima visita à Roma. Preferimos aproveitar aquele dia conhecendo mais a cidade, afinal, teríamos que, novamente, acordar cedo para pegar o voo para Atenas. Seguimos em direção ao centro de Roma, atravessando o rio Tibre pela bela ponte Sant’Angelo, construída no segundo século depois de Cristo e ornada com estátuas de anjos. A ponte atravessa o rio na altura do Castelo Sant’Angelo, que foi construído na mesma época pelo imperador Adriano para ser o seu mausoléu e já foi usado como edifício militar na época do Império Romano, como fortaleza dos papas no período medieval e como prisão na época dos movimentos para unificação da Itália. Do seu terraço superior, tem-se a vista do Tibre, dos prédios da cidade e até mesmo do domo superior da Basílica de São Pedro, no Vaticano. Mas também passamos por ele sem entrar. Esse é o grande problema de “passar” por uma cidade como Roma sem ficar alguns dias para aproveitar.

Passetto di Borgo

Ponte Sant'Angelo

Castelo Sant'Angelo

Logo depois da ponte, seguimos por ruas estreitas e tortuosas até o Panteon. Andar nessas ruazinhas de Roma é uma delícia. Ruas estreitas, casas muito antigas, praças que aparecem do nada. É como caminhar num filme. E a cada passo você pode esbarrar em história…
 

No caminho paramos em uma gelateria perto da Igreja San Salvatore in Lauro, onde tomei um dos sorvetes mais gostosos que já pude experimentar.

Se perder nessas ruazinhas é uma delícia

Un delizioso gelato nel mezzo del cammin

Mas encontrar o Panteon não estava sendo nada fácil. Continuamos andando pelas ruazinhas, passamos pela Piazza Navona, uma das mais belas praças de Roma, e, enfim, chegamos até ele.
 

Único edifício construído na época greco-romana que ainda se encontra em perfeito estado de conservação, o Panteon, desde que foi construído, sempre se manteve em uso: primeiro como templo dedicado a todos os deuses romanos (por isso seu nome, que significa “todos os deuses”) e desde o século VII como templo cristão. A construção tem um pórtico magnífico, com três fileiras de colunas e uma inscrição em latim que diz “M.AGRIPPA.L.F.COS.TERTIUM.FECIT”, ou seja, “Construído por Marco Agripa, filho de Lúcio, cônsul pela terceira vez”.  Mas o que salta aos olhos é a imensa cúpula em forma de esfera sem nada que a sustente e com uma abertura no meio, por onde passa sua única fonte de luz natural. Um trabalho assombroso de arquitetura, que se mantém há dois mil anos intacto no centro de Roma.
 

Piazza Navona

O imponente Panteon

Altar no interior do Panteon

Orifício na cúpula do Panteon. A única luz natural que entra.

Terminamos o passeio na Piazza Venezia, uma das mais famosas praças romanas, onde se encontra o Vittoriano, monumento dedicado ao rei Vittorio Emanuele II – construído entre 1885 e 1911 – que abriga o corpo de um Milite Ignoto (soldado desconhecido) da Primeira Guerra Mundial representando todos os soldados mortos na guerra. Na parte superior do Vittoriano se encontra o Museo Centrale del Risorgimento. Foi de lá que tive algumas das melhores vistas da cidade.

O Vittoriano na luz do fim da tarde





Voltamos a pé até o hostel e dormimos bem cedo para pegar o primeiro trem até o aeroporto. Nossa aventura em Roma durou menos de dois dias.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Roma

Na minha viagem para a Europa em 2009, a segunda cidade que visitei foi Roma.

Saímos bem cedo de Paris depois de apenas dois dias por lá.  E chegamos em Roma sob garoa.

O caminho para o hostel era curto, mas nos hospedamos bem perto da estação Termini e por isso não sofremos demais com a garoa até chegar lá.
O hostel era, na verdade, uma guest house. Um quarto em um grande condomínio na Via Princepe Amadeo. O lugar era bem simpático e o senhor que nos atendeu foi bastante atencioso. Ele explicou onde poderíamos comprar ingresso para o Coliseu e Foro Imperiali, onde poderíamos tomar café com os tíquetes que ele nos entregou e também nos deu algumas dicas de segurança e lugares para evitar. Conversei um bocado com ele e depois fomos para o quarto esperar a garoa passar, mas naquele momento a garoa já havia se transformado em chuva e não dava sinal de esmorecer. Pensei por um momento que aquele dia em Roma estava perdido.
Mas, como teríamos apenas dois dias por lá, resolvemos pegar os guarda-chuvas e sair assim mesmo.
E a decisão se mostrou acertada!


Transporte peculiar para um dia chuvoso em Roma
As ruas, mesmo debaixo de chuva, eram convidativas para um passeio. Poderíamos ter deixado para visitar alguns pontos mais importantes no dia seguinte, sem chuva, mas como estávamos razoavelmente perto do Coliseu, resolvemos ir até lá. Saindo do hostel era apenas uma ou duas quadras até a Via Cavour, que passava pela Basílica de Santa Maria Maggiore e seguia até o Coliseu e o Foro Imperial.
A Basílica de Santa Maria Maggiore foi construída em torno de 420 e é a mais antiga igreja consagrada à Virgem Maria. Segundo a lenda, no século IV o Papa Libério teve um sonho em que a Virgem Maria lhe disse que nevaria e pediu para ele construir uma igreja em sua honra onde a  neve caísse. Quando nevou no Monte Esquilino, no dia 5 de agosto de 356, em pleno escaldante verão romano, o papa lançou as fundações da Basílica. Por isso também é chamada de Basílica de Nossa Senhora das Neves. Sua torre é a mais alta entre as existentes em Roma e o seu interior ainda apresenta a estrutura medieval original. Mas o que mais chama atenção é o teto dourado, feito com o primeiro ouro trazido por Colombo do continente americano. Para ver direito esse teto é preciso depositar uma moeda de um euro em um dispositivo na entrada que ilumina a igreja por alguns segundos. Tempo suficiente para tirar uma fotografia, mas imagino que seja um inconveniente para muitas pessoas que vão lá para fazer sua oração.


Basílica de Santa Maria Maggiore

O teto dourado
Saímos da basílica com a chuva um pouco mais fraca e passamos pelo que parecia ser uma papelaria, onde compramos um ingresso que servia para o Coliseu e o Foro Imperial.
Descendo a Via Cavour, não demorou muito para o Coliseu aparecer ao fundo de uma pequena rua. E a visão do enorme monumento ao fundo, debaixo de chuva, tinha algo de encantador. Foi para lá que seguimos.
 

No final da rua, o Coliseu
A chuva deve ter espantado a maioria dos turistas. Fora um grupo de alunos enfileirados na entrada, não havia muitas pessoas por lá. Como já tínhamos comprado os ingressos, não precisamos passar pela bilheteria e, sem filas e sem demora, entramos no Coliseu.
Estar lá dentro trouxe uma mistura de sentimentos conflitantes. Primeiro o assombro diante da grandiosidade daquela construção, o deslumbramento ao contemplar uma obra com dois mil anos de história, o peso dessa história entre suas colunas, corredores e arquibancadas… e a lembrança imaginativa e inevitável de tantas tragédias que aquele local testemunhou, principalmente ao voltar os olhos para as masmorras agora nuas, mas que antigamente se escondiam embaixo do chão da arena. E a chuva só fazia essa atmosfera ficar ainda mais forte!



Colunas que sustentam vinte séculos de história

Interior do Coliseu com suas masmorras expostas

Detalhe de um dos corredores da arena


Lá fora, o Arco de Constantino debaixo de chuva

As masmorras do Coliseu

Detalhe das trágicas masmorras
Sem pressa, ficamos um longo período ali. Aparentemente não havia limite de duração da visita e, como não pagamos um guia, estávamos nos guiando por nossa própria conta.
Saímos de lá quando demos conta que já estava ficando tarde e a entrada no Foro Imperial seria fechada. Mas antes dedicamos algum tempo ao Arco de Constantino que fica quase ao lado da entrada do Coliseu.


O Arco de Constantino

Arco de Constantino e o outro lado do Coliseu

Detalhes do Arco de Constantino

Detalhes do Arco de Constantino


Detalhes do Coliseu visto de fora


Depois de contemplar e fotografar o arco, rumamos para a Via Sacra, que é a entrada para o Foro e também a rua mais importante da antiga Roma. Logo no começo dela já se vê o Arco de Tito, mais um dos quatro arcos que ainda existem em Roma. Passamos pela entrada poucos minutos antes de fecharem. Era 5 da tarde e aquele monumento histórico estava absolutamente vazio! De lá dava para ver que ainda havia algumas pessoas no Coliseu. Imagino que pelo avançado da hora e pela chuva, que agora já tinha parado, as pessoas simplesmente desistiram de visitar o Foro. Sorte nossa! Tivemos aquele espaço só para nós.

O Arco de Tito na entrada do Foro Imperiali

Colunas do templo de Vênus e Roma

O templo de Vênus e Roma


O Foro Imperiali cobre uma grande área no vale entre os montes Palatino e Capitolino e foi o centro cívico e político do Império Romano. Dá para passar horas caminhando entre as ruínas do Templo das Virgens Vestais, do Templo de Castor e Polux, da Basílica Julia, do Templo de Saturno, do Templo de Rômulo, sistemas de esgoto, poços artesianos, casas de banho. É um passeio, em uma palavra apenas, impressionante. E tudo aquilo estava vazio. E com um sol de fim de tarde que resolveu aparecer depois da chuva, iluminando e deixando aquele cenário ainda mais espetacular. Acho que ficamos umas duas horas por lá. E ainda tivemos tempo de conhecer o Circo Máximo, que era onde aconteciam as corridas de bigas. Não tinha como não pensar em Ben-Hur…

Templo de Antonio e Faustina

Estadio de Domiciano

Domus Augusta

Arco de Jano

Templo de Castor e Pollux

Templo de Saturno


Basílica Julia

Templo de Vesta

Arco de Septimus Severus

O Foro Imperiali iluminado pelo sol do fim da tarde

Circo Massimo
Seguimos de lá até o Panteon, mas já estava fechado, então rumamos para a famosa Fontana di Trevi enquanto ainda havia luz do dia para fotografar.
Essa sim estava cheia, muito cheia!!! Foi muito difícil conseguir tirar uma foto sem aparecer um monte de turista ao redor. Acho que tivemos que esperar quase meia hora para conseguir uma. A fonte é linda, sim… mas com aquela aglomeração de gente não tinha nada de romântico nela. As pessoas jogam uma moeda na fonte para se assegurar de que um dia voltarão para Roma.




Quem vê pensa que só tinha eu lá...


Quando voltamos para o hostel, me lembrei que não joguei nenhuma moeda lá. Vou ter que voltar um dia para jogar minha moedinha…